CLARA ARTE INHOTIM, UMA UTOPIA CONCRETIZADA

A década era 80. Nutrir a alma de verde e paz era recomendação médica para o empresário e colecionador de arte Bernardo Paz, que por falta de “paz” teve um AVC aos 45 anos. A orientação foi cumprida à risca. Ele saiu do “corre” urbano e se instalou numa fazenda mineira, a poucos quilômetros de Brumadinho para ter mais contato com a natureza e se recuperar. Deixou a vida agitada de lado e fincou raiz entre a riqueza dos biomas da Mata Atlântica e do Cerrado. Brotava ali, a semente do Instituto Inhotim, um dos maiores museus de arte contemporânea a céu aberto do mundo.


Instituto Inhotim.

Mas, se a arte é o que salta primeiro quando se pensa em Inhotim saiba que o verde do parque veio antes e é um exagero de bonito. Os jardins da propriedade ganharam forma com os “pitacos” dados pelos amigos – e gênios do paisagismo - Pedro Nehring e Burle Marx. Paralelamente, o convívio com artistas contemporâneos do porte de Tunga e Cildo Meireles fomentaram a criação de Inhotim. E a dobradinha jardim botânico + museu de arte deu match.


Primeira galeria de arte do Instituto Inhotim.

True Rouge, obra de Tunga.

No início era apenas uma galeria de arte. A de Tunga. De tão expressiva que era sua obra, os funcionários da fazenda levavam os familiares para viver aquela experiência. Então, Bernardo comprou mais terras ao redor da fazenda para espalhar arte. Movido por uma paixão, e quase sem perceber, estava caminhando para o lugar certo. As portas do Instituto Inhotim se abriram ao público, em 2006, quando o empresário finalizou o terceiro pavilhão. 


Matthew Barney, Da lama lâmina. 

Yayoi Kusama, obra I am here, But nothing.

Menos de vinte anos se passaram e o museu virou referência mundial. Hoje é dividido em três eixos - rosa, laranja e amarelo - totalizando 24 galerias de arte e 26 áreas externas que abrigam um acervo de quase duas mil obras contemporâneas, de mais de 200 artistas, de 43 países - entre eles Yayoi Kusama, Adriana Varejão, Helio Oiticica, Matthew Barney, Doug Aitken – exibidas em meio a um jardim botânico espetacular, feito de centenas de espécies raras vindas de todos os continentes, inclusive baobás.


Jardim dos Baobás, Inhotim.

UM DIVISOR DE ÁGUAS

 

Em 2010, para acolher melhor os amantes da arte e do verde, teve início o projeto de um hotel na propriedade, comandado pela arquiteta Freusa Zechmeister, uma vez que é impossível trilhar em um dia os 140 hectares de área de visitação recheados de obras que sacodem os sentidos. Mas o projeto parou quando os astros se desalinharam (houve uma redistribuição financeira para outras partes do instituto seguido por uma condenação de Bernardo Paz, acidente na barragem de Brumadinho e pandemia). 


As melhores opções de hospedagem até essa altura eram algumas pousadas simples em Brumadinho ou o hotel Fasano Belo Horizonte (a 60 quilômetros), até o dia em que o Instituto Inhotim ganhou um presentão. O Clara Resorts - grupo hoteleiro independente comandado por Taiza Krueder e com outras duas unidades no estado de São Paulo - retomou o projeto em 2023 e, no dia 20 de dezembro de 2024, deu vida ao sonho da hospedagem dentro do parque. 


Clara Arte Inhotim.


O Clara Arte Inhotim tem 46 bangalôs debruçados sobre palafitas que se espalham por uma colina arborizada. Eles foram desenhados para refletir a essência artística do local, sem descuidar da sustentabilidade. Com traços modernos e linhas minimalistas, o projeto de interiores ficou por conta da designer paulista Marina Linhares. Cada bangalô tem sua própria varanda imersa numa clareira na floresta, com sofás e cadeiras confortáveis, em cores neutras, e o charme de uma lareira a gás em área externa. Por ali a “paz” reina absoluta. Apenas o canto dos pássaros ecoa livremente, sendo cortado vez ou outra pelo nostálgico apito do trem de ferro que insiste em lembrar a riqueza do solo mineiro.


Bangalôs sobre palafitas.

Elegantemente idealizado, o hotel prima pelo acolhimento e celebra a união entre arte, natureza e hospitalidade. Mistura traços de hotel boutique com hotel familiar. Crianças são bem-vindas. Basta entrar nas acomodações e a copa baby salta aos olhos com um frigobar bem abastecido, máquina de café Dolce Gusto, chocolates, biscoitos, filtro de água e uma bancada com micro-ondas. Os quartos são espaçosos, com uma cama de casal e outras duas camas de solteiro para a criançada. 


Quartos amplos e muito confortáveis.

No banheiro, a estrela fica por conta da banheira de imersão esculpida em pedra-sabão, com amenities l’Occitane em embalagens grandes. A conexão com a cultura local e com a arte é evidente. A brinquedoteca tem murais de Cássio Vasconcelos e brinquedos assinados pelo artista plástico Artur Lescher. Já, os azulejos da piscina coberta foram criados pelo artista José Patrício para dar a sensação de movimento. Além dessa, tem outra piscina ao ar livre, ao lado do spa, da sauna, da academia e do restaurante.


Brinquedoteca (Foto: divulgação)

E por falar em restaurante, o Clara Arte funciona em sistema all-inclusive. A culinária mineira ganha força com um cardápio de petiscos e com um buffet de mais de 15 pratos assinados pelo chef Léo Paixão e preparados em uma mega cozinha que inclui grelha de carvão e forno de pizza a lenha. O dia a dia da cozinha é comandado pelo talentoso Gabriel Sodré, um jovem mineiro que já esteve a frente de um bistrô premiado com estrelas Michelin, em Madrid, o Chispa Bistrô.

 

A programação do hotel é muito rica. Após o jantar, vale participar do “Bate Papo de Arte”. A conversa acontece num salão lindo, ao lado do Piano Bar. Tive a sorte de ouvir Junio Cesar contando um pouco da história de Inhotim. Ele nasceu por ali e desde os 9 anos de idade acompanha o crescimento do projeto. Sabe muito sobre arte e deu uma aula de cair o queixo.


Salão onde acontece o "Bate Papo de Arte". (Foto: divulgação)

O grande privilégio de ficar hospedado no Clara Arte Inhotim é estar dentro do parque e ter acesso livre em dias e horários exclusivos, inclusive às segundas e terças, quando a entrada está fechada ao público. A visita pode ser feita a pé, por conta própria, ou guiada com carrinho elétrico solicitado antecipadamente (o valor é de 900 reais para 3 horas e 1.600 para 6 horas). Vale lembrar que o valor do ingresso para o público geral é de 60 reais para adultos, sendo gratuito todas as quartas feiras e no último domingo de cada mês, mediante retirada prévia pela Sympla, pois se a arte deve nutrir todas as almas, então ela precisa estar ao alcance de todos. E essa missão é levada a sério pelo Instituto Inhotim.


Um hotel literalmente dentro de Inhotim. (Foto: divulgação) 

Atualmente, Inhotim é um instituto público e não mais um museu privado. Bernardo Paz se afastou e cedeu grande parte de sua coleção particular para o instituto. Mas, ainda mora na propriedade e pode ser visto por ali com frequência. No fim das contas o sonho virou uma utopia concretizada. Final feliz!


Inhotim ganhou um presentão!
Clara Arte Resort

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